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Rainha do Carimbó Chamegado

Dona Onete aprendeu a cantar intuitivamente, um dom manifestado cedo e presente em toda a sua trajetória: nas canções entoadas quando criança à beira do rio para atrair os botos, nas noites de serestas e carimbó, e nas salas de aula. Ela também teve participação no Grupo Folclórico Canarana, em 1989, em Igarapé-Miri; no Coletivo Rádio Cipó, em Belém, em meados da década de 1990; e no festival Terruá Pará. Lançou seu primeiro disco solo, Feitiço caboclo (2012), aos 73 anos – depois vieram mais dois álbuns e um DVD. Ganhou o título que lhe cabe perfeitamente: Rainha do Carimbó Chamegado.

Foi a partir de suas composições que o tradicional carimbó se tornou mais brejeiro e sedutor e ganhou o adjetivo, que, acima de tudo, carrega a essência e a cadência do povo caboclo ribeirinho de Igarapé-Miri: o chamego vem do afeto e do suingue das pessoas que lá vivem. Como ela canta:

“chamego é beijo na boca,
chamego é cafuné,
chamego é abraço apertado”.

Reconhecida no Brasil e internacionalmente, Dona Onete é inspiração para outras tantas artistas do Pará ao mostrar que o lugar da mulher no carimbó, antes destinado apenas às costureiras e às dançarinas, vai além: é na criação, no canto, no toque do tambor e na dança.

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O carimbó de Dona Onete

Foi a partir das composições de Dona Onete que o tradicional carimbó se tornou mais brejeiro e sedutor. Neste vídeo, o pesquisador e professor Patrich Depailler fala sobre a origem do carimbó e dos instrumentos que compõem a sonoridade desse estilo musical. O pesquisador e músico Pio Lobato – que integra a banda de Onete – comenta a busca da artista pela originalidade e fala sobre a construção de “No meio do pitiú”, um dos grandes sucessos de Dona Onete. O vídeo também conta com depoimento de Silvio Renato Gama de Castro, filho de Ionete.

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O tradicional e o chamegado

O pesquisador e professor Patrich Depailler, em sua dissertação O feitiço caboclo de Dona Onete, escreveu sobre a origem do carimbó e suas ramificações. Ele destaca que o carimbó chamegado de Dona Onete nasceu na localidade do Baixo Tocantins, região de águas doces, diferentemente do carimbó tradicional, que é originário da Zona do Salgado, das cidades paraenses de Marapanim, Curuçá e Algodoal. Lilian Campelo, jornalista com especialização em comunicação científica na Amazônia, observa que, neste caso, “a cultura do caboclo interage com a geografia amazônica, pois sua realidade cotidiana é inerente à cultura”.

Para Patrich, “essa discussão sobre o que é ‘correto’ na execução do carimbó, principalmente na capital, fez com que a população em geral criasse uma curiosidade sobre o que era esse ritmo, essa dança e essa música desenvolvida no Pará”. Segundo o pesquisador Guerreiro do Amaral, “[…] a difusão e popularização do carimbó em Belém resultam em um fenômeno social que reside no sentimento de valorização do elemento regional, a ponto de considerar essa manifestação como um ícone de identidade cultural paraense”.

Em relação à sonoridade, o carimbó tradicional utiliza instrumentos como curimbó, clarinete, maracás, saxofone e banjo. Por sua vez, o carimbó moderno, executado por Pinduca – músico conhecido como o Rei do Carimbó –, ganha o acréscimo de instrumentos elétricos, como guitarra, teclado e contrabaixo, além da bateria e de percussão (congas, bongos, rebolo etc.) e metais (trompete, trombone e saxofone).

Dona Onete traz mais algumas particularidades para o seu carimbó chamegado a partir do carimbó moderno. Sua versão, por exemplo, também mistura outros ritmos – como lundu, banguê, carimbó, siriá, tambor de nagô e toadas de boi-bumbá – que contribuem para o ritmo mais cadenciado e sensual. Sobre a expressão chamegado, a artista disse em entrevista no ano de 2014: “Chamegado é um ritmo que eu trouxe de Igarapé-Miri […]. O pessoal de Igarapé-Miri é: minha preta, minha rosa ‘num sei o quê’, é um chamego que a gente tem, e que o povo gosta do nosso chamego”.

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Processo criativo

O empresário e produtor musical Geraldinho Magalhães e o pesquisador e professor Patrich Depailler falam sobre o processo de criação de Dona Onete e sobre a presença dos encantos e das singularidades do Pará e da Amazônia nas composições. Eles ressaltam o didatismo da cantora ao escrever suas letras, formando histórias que lembram a literatura de cordel. Já o músico Pio Lobato explica o processo de arranjos com a banda de Dona Onete, a partir de suas composições líricas.

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Imagem colorida que mostra Dona Onete e sua banda se apresentando durante o show do DVD Flor de Lua.

Show de gravação do DVD Flor da lua, em Belém, 2017. Dona Onete e músicos (da esquerda para a direita): Daniel Serrão, Rafael Barros, Douglas Dias e JP Cavalcante | imagem: Marise Maues

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"Ela canta o Pará", diz Nil Almeida | Publicação da Ocupação Dona Onete

Confira depoimentos da cantora Fafá de Belém e dos músicos Felipe Cordeiro e Nil Almeida.

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Terruá de sonhos

por Nathalia Petta

O silêncio do palco do Auditório Ibirapuera, em São Paulo, foi quebrado por uma voz trêmula, que não parecia de alguém jovem. Enquanto a cortina se abria lentamente, os espectadores ouviam “Ê, ê, ê moreno, ê, ê, ê moreno” – um cântico do carimbó chamegado era entoado à capela, acompanhado apenas por batuques de tambores da Amazônia. Quando a luz focava no centro do palco, o que se via era uma senhora no auge dos seus mais de 60 anos, sentada em uma poltrona, com um vestido verde e a voz forte e inexperiente de quem vive um sonho. A cena é um retrato do que foi o show Terruá Pará em 2006, uma das primeiras apresentações de Dona Onete e que, segundo ela mesma, foi uma alavanca para que sua carreira alcançasse o status e o reconhecimento que tem hoje.

O Terruá Pará foi uma idealização do governo do estado do Pará, através de Ney Messias – jornalista que, na época, ocupava o cargo de presidente da Fundação Paraense de Radiodifusão (Funtelpa), estatal de TV e rádio pública do Pará –, e é uma das maiores iniciativas de propagação e circulação da música paraense no Brasil. Messias contou com o apoio dos produtores musicais Carlos Eduardo Miranda – conhecido por seu trabalho com importantes grupos, como Raimundos, O Rappa, Skank e Mundo Livre S/A – e Pena Schmidt – que esteve à frente de gravadoras como a Warner Music e produziu bandas como Titãs, Ira! e Ultraje a Rigor.

“A ideia surgiu de várias cabeças. Na época, já havíamos promovido na Funtelpa iniciativas diversas de circulação e divulgação dos nossos artistas, como shows e concursos, além de levar as músicas para a programação da emissora. Uma vez, resolvi realizar o Prêmio Cultura de Música, em Belém, e achei que deveria chamar jurados de peso para ouvir nossos artistas. Convidei o Miranda e o Pena Schmidt, que se impressionaram com a potência da nossa diversidade musical. Depois, o Pena virou superintendente do Auditório Ibirapuera e me lançou o desafio de levar um show de três dias só de música paraense para São Paulo. Eu topei, desde que o Miranda fosse o diretor musical, e assim nasceu o Terruá Pará”, relembra Messias.

O termo terruá – vindo do francês terroir – é muito usado para identificar um produto, ingrediente, iguaria ou ritmo musical de determinado local. Não foi à toa a escolha de Messias para o festival: ele acreditava que a música produzida no Pará era única e tinha o desejo de mostrar essa iguaria ao Brasil e ao mundo.

A primeira edição do espetáculo, em 2006, no Auditório Ibirapuera, foi, até então, um dos maiores palcos em que Dona Onete tocou fora do Pará e serviu de grande impulsionador para sua carreira. Ela também participou de mais duas edições, em 2012 e 2013, no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, mas a essa altura seu talento já tinha chegado a mais palcos do Brasil. “Nós levamos mais de 150 artistas para esse palco durante as três edições, mas a Dona Onete foi a única que esteve em todas, porque acredito que ela é a semente mais preciosa do projeto. A gente enxergava nela essa potência, e demos o espaço para ela mostrar seu talento, que foi reprimido a vida toda pelo machismo e não poderia, agora, ser reprimido pelo etarismo”, completa Messias.

Potência para a cena paraense

Não foi só para Dona Onete que as apresentações foram importantes. Muitos artistas puderam alcançar outros espaços com essa iniciativa. “A gente reclamava e ouvia muito que a mídia não vinha aqui conhecer nossos artistas, nossa cultura, mas eu entendo que tinha que existir um esforço governamental para colocar as pessoas lá no centro midiático do país, e foi o que fizemos”, continua Messias, que nas edições de 2012 e 2013 era secretário de Comunicação do Pará. “Muitos artistas aproveitaram e fizeram uma boa gestão de suas carreiras, e aproveitaram essa visibilidade, como Lia Sophia, Felipe Cordeiro, Luê e Nathalia Matos.”

A jornalista Adelaide Oliveira presidiu a Funtelpa de 2011 a 2018 – ou seja, comandou as edições de 2012 e 2013 do festival – e conta que essa iniciativa se somava a outras de difusão dos artistas paraenses feitas pelas emissoras estatais. “O Terruá Pará tem essa potência de conseguir levar não apenas um único artista, e sim o conceito, a cena, a musicalidade feita no Pará, com todas as suas possibilidades”, explica Adelaide. “Colocamos em um palco Dona Onete, Mestres da Guitarrada, artistas consagrados, como Paulo André, Gaby Amarantos e Salomão Habbib, junto com novos artistas, como Lia Sophia, Gang do Eletro, Félix Robatto, Trio Manari e muitos outros. Mas isso não era uma ação isolada. Esses artistas já estavam presentes com suas canções na programação da rádio, TV e internet; então, de certa forma, ir para o Terruá era mais uma ação de incentivo.”

Sammliz já tinha mais de 20 anos de carreira à frente da banda Madame Saatan quando subiu ao palco do Terruá Pará em 2013. Mesmo com toda essa experiência, ela usou o espaço para começar um novo sonho: sua carreira solo, algo em que já vinha pensando havia um bom tempo. “O Terruá foi uma vitrine importante para a música paraense, colocando em um mesmo palco artistas representantes de uma parte da diversidade da nossa música, interagindo em um grande show. Tenho muito carinho por ele também por ter sido o primeiro palco onde me apresentei em versão solo, iniciando uma nova fase na minha carreira e, depois disso, partindo para produzir meu primeiro disco. Foi o start, e muita gente que não me conhecia ou que só havia me visto com o Madame Saatan passou a me acompanhar depois”, relembra a cantora, que em seu trabalho solo assina uma parceria com Dona Onete.

Ela comenta o clima de espetáculo que os shows traziam e como o festival foi importante para a carreira de muitos: “Eu já conhecia Dona Onete havia alguns anos. Não estive na edição da qual ela participou, e, como ela disse, ali foi o momento em que começou a explodir. E ela no palco, já sabe, né? Ela domina e contagia todo mundo. Mas foi maravilhoso dividir o palco com pessoas como Gaby Amarantos, uma das grandes estrelas das edições, Lia Sophia e Jaloo, que já estava se consolidando nacionalmente. De certa maneira, foi uma revelação geral, de tamanhos diferentes, para os artistas que participaram”.

A partir daí, Sammliz seguiu sua carreira solo, teve o disco Mamba aprovado pelo Natura Musical em 2016 e fez shows pelo Brasil. Em 2017, lançou sua parceria com Dona Onete: a música “Deusa da Lua (mulher perigosa)”, da qual ela recorda a facilidade e a generosidade que a artista tem em fazer parcerias e compor. “Dona Onete é uma mulher extraordinária, generosa e uma fábrica de hits. Essa música surgiu em uma festa de aniversário; estávamos conversando e, certa hora, perguntei quando iríamos fazer um feat. Pois ela imediatamente disse que tinha uma ideia para me dar e já começou a cantar. Saquei o celular e comecei a gravá-la cantando em meio à barulheira da festa. Um ano depois, ouvi esse arquivo e resolvi terminar a música, acrescentei o refrão e alguma coisa a mais. Mostrei a ela e pedi que cantasse também na gravação, no que prontamente atendeu. Foi uma delícia gravar, e é uma honra ter um trabalho em parceria com uma artista e pessoa tão talentosa”, orgulha-se.

Em 2013, o Terruá Pará foi premiado pela​​ Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria Música Popular. Engana-se, porém, quem pensa que o festival se restringiu ao público paulista: os shows de 2012 e 2013 foram transmitidos ao vivo pela TV Cultura e pela rádio para mais de 80 municípios paraenses. Também foram apresentados em Marabá e Santarém, cidades-polos do sul e do oeste do Pará, com o objetivo de dar mais alcance a esses artistas no próprio estado. Além disso, eles foram lançados em DVD e viraram uma edição de livro. “Era uma forma de mostrar a diversidade das nossas muitas sonoridades regionais, que não somos uma coisa só, e de levar essa cultura ao maior número de pessoas possível”, conclui Adelaide.

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Nathalia Petta é jornalista, cantora e compositora paraense. Antes de começar sua carreira autoral, atuou como repórter de cultura no estado do Pará. Em 2016, lançou o álbum Não por você e fez várias apresentações, entre elas uma participação com a cantora Pitty em shows em solo paraense. Atualmente, atua como designer de inovação e dedica-se ao seu próximo trabalho autoral como cantora.

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Imagem colorida de Dona Onete durante ensaio fotográfico para o álbum Banzeiro. Dona Onete está sentada, com um vestido azul. Ao fundo, o rio da cidade de Belém.

Ensaio fotográfico realizado em Belém (PA) no dia 20 de maio de 2016 para o lançamento do segundo álbum de Dona Onete, intitulado Banzeiro (2016) | imagem: Lais Texeira

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"Em Belém, a gente sempre lutou muito por um cenário; eu me lembro que, na década de 1990, a gente tinha poucos recursos para as bandas do Pará. Foi junto com a Funtelpa que se criou um cenário. Recife teve algo parecido, muito do cenário de lá incentivou o daqui. As pessoas começaram a entender a cultura paraense e começaram a fazer música sobre isso. Dona Onete já fazia, ela só se inseriu num sistema que estava preparado para ela. É muito importante dizer que a Funtelpa criou um alicerce e foi fundamental para tudo que está acontecendo atualmente. Hoje em dia, Dona Onete é a pessoa mais representativa do Pará, a que tem mais voz. Mas, além disso, vemos que existe um cenário e que temos que levá-lo adiante para que venham outras Onetes e outros mestres da guitarrada."

Nil Almeida, o Vovô [em entrevista ao Itaú Cultural]

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Mulheres no carimbó

Dona Onete recorda suas composições da época de seu casamento: eram um desabafo. “Meu marido tinha ciúme de tudo, eu não podia cantar”, ela diz. Até que um dia, enfim, ela se libertou. Inspiração para muitas mulheres – artistas ou não –, Dona Onete é um exemplo da luta por igualdade de gênero. O vídeo também conta com depoimentos da professora Maria Antônia Nonato, da cantora Dalcilene Nonato (conhecida como Sica) – ambas fundadoras do grupo folclórico Carimbolando – e da cantora Gaby Amarantos, que falam sobre a presença da mulher no carimbó – na dança, na voz e no tambor. Onde o homem canta, a mulher também canta.

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Ensaio fotográfico feito durante as gravações do videoclipe da música “No meio do pitiú”, na Pedra do Peixe, no mercado do Ver-o-Peso. Clipe gravado por Leo Platô em junho de 2016
Ensaio fotográfico feito durante as gravações do videoclipe da música “No meio do pitiú”, na Pedra do Peixe, no mercado do Ver-o-Peso. Clipe gravado por Leo Platô em junho de 2016

Ensaio fotográfico feito durante as gravações do videoclipe da música “No meio do pitiú”, na Pedra do Peixe, no mercado do Ver-o-Peso. Clipe gravado por Leo Platô em junho de 2016

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"Dona Onete representa um ápice, um pico da coletividade da música paraense. Eu sou filho de artista paraense de outra geração, então acompanhei um pouquinho, e sempre é essa dificuldade de a música paraense se afirmar como cena desde os anos 1970. É uma música muito diversa e cheia de vertentes. Dona Onete simboliza esse momento, porque ela consegue ser unânime entre os pares, todos os artistas e os públicos gostam muito dela. Apesar de ela cantar carimbó, que é uma das vertentes da nossa música, ela consegue ser moderna, tradicional, contemporânea, ancestral. Ela é uma figura que, de certo modo, representa todo mundo."

Felipe Cordeiro [em entrevista ao Itaú Cultural]

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Dona Onete e Mestre Laurentino | imagem: Nay Jinknss
Dona Onete e Mestre Laurentino | imagem: Nay Jinknss

Dona Onete e Mestre Laurentino | imagem: Nay Jinknss

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Nasce uma estrela

Gaby Amarantos, Patrich Depailler, Josivana de Castro (pesquisadora e neta de Dona Onete), MG Calibre (músico do Coletivo Rádio Cipó) e os músicos Mestre Laurentino e Pio Lobato recordam a carreira de Dona Onete, desde o Grupo Canarana, em Igarapé-Miri, passando pela participação com o Coletivo Rádio Cipó – nesta época já aos 63 anos – em Belém, até a carreira solo e o estrelato. A própria cantora fala sobre elementos líricos e musicais de suas composições. Os empresários e produtores Geraldinho Magalhães e Viviane Chaves também comentam os shows, as viagens e a participação do público.

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Show de pré-Carnaval em Recife (PE). Na foto Dona Onete e Marcos Sarrazin no Saxofone. 2019 | imagem: Sérgio Bernardo/PCR
Show de pré-Carnaval em Recife (PE). Na foto Dona Onete e Marcos Sarrazin no Saxofone. 2019 | imagem: Sérgio Bernardo/PCR

Show de pré-Carnaval em Recife (PE). Na foto Dona Onete e Marcos Sarrazin no Saxofone. 2019 | imagem: Sérgio Bernardo/PCR

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Treme! Treme! Treme!

Criada pela curadoria da Ocupação, esta playlist é composta por sucessos de Dona Onete e de artistas paraenses de várias gerações. Vamos celebrar e dançar o carimbó, o tecnobrega e toda a diversidade da música do Pará!

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Cartaz dos shows de Dona Onete na Sala Itaú Cultural, 2023

Cartaz dos shows de Dona Onete na Sala Itaú Cultural, 2023

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