A invenção de Helena

Nascida em Salvador (BA), Helena trocou o Direito pelas artes ao ingressar na primeira turma da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Estreou no cinema em Pátio (1959), de Glauber Rocha, e logo passou a dividir sua atuação entre os palcos e as telas. Ela se destacou em montagens como A história de Tobias e Sara (1960) e A ópera dos três tostões (1960) e em filmes como A grande feira (1961) e O grito da terra (1964), que revelavam uma intérprete disposta à experimentação.

Helena Ignez como Sara, em “A História de Tobias e Sara”, peça montada pela Escola de Teatro da Bahia com texto de Paul Cladel e direção de Martim Gonçalves, em 1960, no Teatro Santo Antônio.

A peça teve um grande índice de aceitação do público e dos jornais, que destacaram a interpretação de Helena, assim como os efeitos de luz.

imagem: autoria desconhecida | Acervo Instituto Martim Gonçalves

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Desde criança, eu tinha muito forte essa vontade de me apresentar. Havia até um certo pudor: 'A Helena vai dançar na festa', diziam. Talvez isso já fosse uma manifestação da minha própria origem, que é performática, um ensaio da atuação que sigo fazendo até hoje. Acho que foi aí que nasceu a vontade de me expressar por meio do corpo.

Helena Ignez em entrevista ao Itaú Cultural

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Infância

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A invenção de Helena

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Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia

Fundada em 1956, em Salvador, a Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia foi pioneira na renovação do teatro brasileiro nas décadas de 1950 e 1960. Capitaneada por Eros Martim Gonçalves, foi a primeira do país vinculada ao ensino superior. O diretor modernizou a cena baiana, profissionalizando artistas por meio de um repertório eclético, que abarcava de Stanislavski a expressões folclóricas. Com professores ilustres, como Gianni Ratto e Lina Bo Bardi, a instituição formou e atraiu nomes indeléveis da nossa cultura, como Antonio Pitanga, Glauber Rocha, Helena Ignez, Nilda Spencer e Othon Bastos.

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Close de Helena Ignez na peça Ópera dos Três Tostões, 1960

Acervo Instituto Martim Gonçalves

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Fiz Direito e tinha facilidade. O lado teatral da profissão era o que mais me interessava. Havia provas orais e eu gostava de falar; isso me ajudava a ter um bom desempenho. Eu estava cursando Direito quando surgiu a Escola de Teatro da Bahia, criada por Martim Gonçalves. Nessa loucura de abandonar uma profissão estabelecida, como nossas famílias esperavam que seguíssemos, tive um companheiro maravilhoso: Glauber. Fomos para a arte. Era o meu início.

Helena Ignez em entrevista ao Itaú Cultural